O apoio da China a Cuba parece limitado à primeira vista porque muitos observadores esperam uma relação semelhante à que existia entre Cuba e a antiga União Soviética. Mas a estratégia chinesa atual é muito diferente da soviética.
Há vários fatores importantes:
1. A China evita subsidiar aliados da forma que a URSS fazia
Durante a Guerra Fria, a União Soviética fornecia bilhões de dólares em subsídios, petróleo barato e ajuda econômica a Cuba por razões ideológicas e estratégicas. Após o colapso soviético, a liderança chinesa concluiu que esse tipo de apoio era financeiramente custoso e muitas vezes ineficiente.
A política externa chinesa moderna é mais pragmática: Pequim prefere empréstimos, investimentos e comércio que tenham alguma perspectiva de retorno econômico, em vez de sustentar indefinidamente economias parceiras.
2. Cuba oferece oportunidades econômicas limitadas
Embora a China seja hoje um dos principais parceiros comerciais de Cuba, a economia cubana enfrenta problemas estruturais:
Baixa produtividade.
Escassez de divisas.
Infraestrutura envelhecida.
Capacidade limitada de pagar empréstimos.
Do ponto de vista chinês, investir grandes quantias em Cuba produz menos retorno do que investir em mercados maiores da América Latina, África ou Sudeste Asiático.
3. Pequim não quer um confronto direto com Washington por causa de Cuba
Apesar da rivalidade crescente entre China e EUA, a relação econômica sino-americana continua enorme. Cuba fica a apenas cerca de 150 km da costa da Estados Unidos e tem um enorme valor simbólico para a política externa americana desde a Crise dos Mísseis de Cuba.
Uma presença militar chinesa massiva ou um resgate econômico ilimitado de Cuba poderia provocar tensões desnecessárias com Washington. Pequim normalmente prefere ampliar sua influência de forma gradual e evitar crises geopolíticas de alto risco.
4. A China já oferece apoio — mas de forma seletiva
O apoio existe, porém é mais discreto do que muitos imaginam:
Comércio bilateral.
Doações de equipamentos e alimentos.
Cooperação em telecomunicações e tecnologia.
Projetos de energia e infraestrutura.
Reestruturação ou adiamento de algumas dívidas.
Essas iniciativas ajudam Havana, mas não chegam perto da escala do antigo suporte soviético.
5. As prioridades estratégicas chinesas estão em outras regiões
Hoje a China concentra grande parte de seus recursos diplomáticos e financeiros em áreas consideradas mais críticas para seus interesses:
Mar do Sul da China
Estreito de Taiwan
Paquistão
Rússia
Corredores da iniciativa Belt and Road Initiative
Dentro desse quadro, Cuba é vista como um parceiro político valioso, mas não como uma prioridade estratégica de primeira ordem.
FONTE: BBC

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