O empresário Ricardo Magro voltou ao centro do noticiário após decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorizou sua prisão preventiva e permitiu à Polícia Federal solicitar sua inclusão na Difusão Vermelha da Interpol — mecanismo usado para localizar foragidos internacionais.
Magro é controlador do Grupo Refit, dono da antiga Refinaria de Manguinhos. Segundo investigações da Polícia Federal e da Receita Federal, o conglomerado é apontado como o maior “devedor contumaz” do país, acumulando cerca de R$ 52 bilhões em débitos tributários e financeiros com União, estados e Distrito Federal.
As investigações afirmam que o grupo teria usado empresas offshore, fundos de investimento e estruturas societárias complexas para ocultar patrimônio, lavar dinheiro e dificultar a cobrança de impostos. A PF sustenta que Magro seria o “principal beneficiário” do esquema.
Suspeita de ligação com o PCC
O nome de Magro passou a ser associado ao Primeiro Comando da Capital após a Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025. Investigadores suspeitam que empresas ligadas ao Grupo Refit tenham fornecido combustíveis a organizações criminosas associadas à facção. A empresa nega qualquer vínculo com o PCC.
As autoridades também investigam supostas fraudes em importações de combustíveis e um esquema de “blindagem patrimonial” envolvendo movimentações bilionárias em empresas financeiras ligadas ao grupo.
Vida nos Estados Unidos
Segundo as reportagens, Ricardo Magro vive há anos em Miami e não retorna oficialmente ao Brasil desde 2018. Documentos citados pela BBC News Brasil indicam participação dele em empresas registradas na Flórida. Também foram mencionados imóveis de luxo, incluindo uma mansão em Coral Gables que teria pertencido ao atleta LeBron James.
Histórico de investigações
Magro já havia sido preso em 2016 durante a Operação Recomeço, ligada a suspeitas de desvios em fundos de pensão como Postalis e Petros. Na época, seu nome também apareceu associado ao ex-deputado Eduardo Cunha. Posteriormente, ele foi absolvido nesse processo.
Além disso, o grupo já havia sido citado em investigações anteriores sobre fraudes fiscais e ICMS envolvendo a Refinaria de Manguinhos.
O que diz a defesa
O Grupo Refit afirma que:
discute os débitos tributários na Justiça;
herdou parte dos passivos de gestões anteriores;
nunca falsificou declarações fiscais;
não possui relação com o crime organizado.
Até o momento, não há condenação definitiva contra Ricardo Magro nos casos mais recentes. As acusações ainda estão em fase de investigação e tramitação judicial.

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